quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Capítulo 53: Conseguimos

Michael se aproximou e entrou em nosso campo de visão, segurava uma arma, e por isso, ao mesmo tempo que meu rosto se iluminou de alívio e felicidade ao ver que ele estava vivo, se contorceu em angustia e medo de que algo pudesse vier a acontecer com ele.
"Michael." - sussurrei.
Ele por alguns instantes olhou para mim mas nada disse, dirigiu-se a Jhon que parecia terrivelmente indignado.
"O que você faz aqui?! Evangeline disse-me que estava morto!" - Jhon exclamou virando-se para Michael e para Antonietta - "Você mesmo confirmou isso Antonietta! O que está acontecendo aqui?"
Michael abriu um meio sorriso:
"Você acredita muito fácil nas coisas não ´Jhon?"
Jhon grunhiu acima de mim e apertou a arma em meu pescoço, eu arfei esperando o pior, sempre.
"Além de fácil de ser enganado, é covarde." - Michael continuou.
A arma em meu pescoço parou de apertar-me, Jhon apontou-a para Michael:
"Covarde? Eu?" - suas palavras eram duras e ameaçadoras.
"Claro que sim. Por que você não encara eu por exemplo? Prefere Emanuelle que está ai, fraca, você é mais forte que ela, ela não está armada e está completamente indefesa. Agora, você não tem coragem de me ameaçar Jhon. Isso é um fato."
"Cale a boca Michael! Você acha mesmo que apenas você conseguirá me impedir? Ninguém vai me impedir. Eu vou matá-la como disse. Você Michael, é completamente insignificante."
"Mas ele não está sozinho Jhon." - a voz de Antonietta circulou entre nós quando ela entrou em nosso campo de visão com a arma apontada agora para Jhon.
Prendi o fôlego pois não esperava tudo isso. Eu podia enchergar as lágrimas brilhantes prontas para se derramarem no rosto de Antonietta mas ela se mantinha firme e decidida.
"O que? Até você?" - indagou Jhon.
"Se dirigir a palavra para mim de novo Jhon, eu juro, eu juro que atiro. Eu estou falando muito sério." - ela fez uma pausa enquanto esperava suas palavras assentarem no espaço em nossa volta - "Você me enganou esse tempo todo! E ainda quer que eu te ajude? Ah! Francamente Jhon! Eu sei de tudo! Sei que nunca você me ajudará a reencontrar minha família. E li isso. Não adianta fazer essa cara de quem não está entendendo, você sabe muito bem do que eu estou falando. Sabe? Aquele jornal na sua gaveta, incrivelmente escondido? Pois é, eu o li. Agora solte Emanuelle, agora. São dois contra você."
"Você vai confirmar que é covarde Jhon?" - Michael provocou.
"Silêncio todos vocês!" - Jhon me empurrou para a grama e passou a minha frente, mirou em Michael.
"Vamos lá...vou soltar a arma." - Michael então jogou a arma no chão e chutou-a para trás. Ergueu as mãos em sinal de rendição. - "Se é isso que queria que eu fizesse, pronto, agora pode atirar em mim."
Não! Pensei com todas as minhas forças. Me levantei e olhei para Michael. Seu olhar encontrou o meu e ficamos apenas ali, parados um olhando para o outro enquanto Jhon mirava em Michael. Balancei a cabeça negativamente em sinal para que Michael parasse com aquele jogo perigoso. Michael piscou tranquilamente e suspirou como se sentisse alívio.
Então Jhon disparou. Michael apertou seu braço um pouco abaixo do ombro e suas mãos se mancharam de vermelho. Meu coração falhou dentro de mim e parou de bater, Michael caiu de joelhos e soltou um gemido de dor, olhou para mim e ainda sorriu, meu coração voltou a bater e olhei para Jhon, ele saiu andando de volta para seu carro e não disse uma só palavra. Girei meu corpo e vi que Antonietta se afastava correndo e sussurrou desculpas.
Corri até Michael e abaixei-me ao lado dele. Ele olhou para mim e disse:
"Conseguimos."

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Capítulo 52: Vi e Senti

Olhei para trás, a procura dos momentos em que fui completamente feliz. Eu os encontrei, pairando a um mês atrás ao lado de Vovó, Michael...Tentei recuperá-los, tentei alcançá-los mas rajadas de imprevistos e decepções afastaram-os de mim.

O alçapão rangeu e foi aberto, a cabeça do homem apareceu no vão:
"Venha."
Eu obedeci, subi as escadas e ele segurou meu braço firmemente, ergueu um pouco da camisa sobre a calça e mostrou o cano da arma que carregava:
"Se você se comportar, eu solto o seu braço e não usarei isso aqui...Mas, se você tentar fugir, se não obedecer a uma unica ordem, vou ser obrigado a usar. Agora venha, seus pais estão lá fora."
Assenti com a cabeça e o segui para fora da casa. De início a claridade me incomodou e meus olhos piscaram seguidamente até se adaptarem. A sensação de respirar um ar mais puro e mais fresco era quase capaz de me deixar aliviada.
Parados na entrada da casa estavam dois carros, minha mãe e meu pai estavam em um deles, Antonietta ao volante.
Jhon ao me ver acenou atrás do volante do outro carro.
O homem abriu a porta de trás do carro onde Jhon estava. Eu entrei.
"Vamos acabar logo com isso?" - Jhon virou-se.
Não respondi, enquanto isso o homem se dirigiu até o carro de trás e eles seguiram dirigindo. O carro em que eu estava seguiu o outro de perto.
Demorei um certo tempo a perceber que estávamos indo para a casa de Vovó.


Estacionamos, O homem desceu do carro com meus pais seguidos de Antonietta. Jhon desceu ao meu lado segurando em meu braço.
O portão estava aberto e entramos, Elizabeth saiu na varanda e chamou minha avó, ambas estavam espantadas, Elizabeth tranqüilizou Vovó.
Jhon se aproximou parando a uns dez metros das duas, olhou para meus pais:
"Podem ir. Vão, preciso puni-los agora."
Meus pais caminharam até a varanda e se juntaram a Vovó e Elizabeth, os olhares aflitos eram diretamente dirigidos a mim. Jhon me empurrou e eu cai de joelhos no chão, gemendo um pouco por causa da dor.
Ouviu-se um clique de uma arma e Jhon pousou o cano da arma em meu pescoço, em cima da minha mancha de nascimento, uma estrela azul. Lembrei-me então do que minha avó havia me dito..."Qualquer ferimento em cima de nossa marca, pode nos matar." Prendi a respiração espirando o pior.
"Creio que saibam que isso tudo é culpa de vocês dois" - Jhon apontou para meus pais - "Tolerei o casamento de vocês, mas uma filha? Uma mestiça? Não, inaceitável...Enquanto estive procurando Emanuelle pensei em um jeito de puni-los pelo erro. Então decidi matá-la porque vocês se culpariam, e é isso que eu quero."
Ele apertou a arma em meu pescoço e eu comecei a chorar, assim como minha mãe.
Ergui a cabeça para uma ultima olhada em minha família. Foi então que vi e senti que o curso dos acontecimentos mudariam completamente.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Capítulo 51: Culpa minha

Por fim acabei adormecendo sentada na escada. O calor ali embaixo era denso, e castigava, a sensação se claustrofobia crescia dentro de mim.
Ouvi um forte baque no alçapão, assustei-me e levantei-me rapidamente, iria dar uma passo para trás mas tropecei no degrau e cai.
Minha cabeça bateu nos degraus algumas vezes antes de eu cair de bruços no cão. Não pude ver mas senti uma nuvem de poeira rodear-me.
Com algum esforço levantei-me e me sentei junto a parede, tentei me orientar, que horas são? Quanto tempo dormi? Senti um enorme sono mas levantei-me para não dormir, a vertigem tomava conta de meu corpo.
Escutei alguém destrancando o alçapão, uma pouca mas suficiente claridade entrou no porão, era dia, Jhon desceu as escadas lentamente com as mãos para trás.
"Olá, já é meio dia...Como passou a noite?"
Nada respondi.
Jhon circulou um pouco pelo cômodo e voltou ao mesmo lugar, ao lado da escada mais próximo de mim.
Escada, alçapão...minha mente registrou essa unica possibilidade de fuga. O alçapão estava aberto. Se Jhon se distanciasse mais um pouco eu teria chance de fugir.
"Tenho péssimas noticias para você...facilitarão para mim, mas creio que para você são péssimas." - ele continuou.
Voltei minha atenção para ele:
"O que você fez dessa vez?"
"Eu não fiz nada." - ele se defendeu, o que soou estranhamente sincero, completamente sincero mas eu ainda sentia uma pontada de dúvida - "Michael, o seu querido Michael...não está mais vivo."
Meu coração saltou dentro de mim, o que ele havia feito? Eu não conseguia respirar, minha garganta se fechou, abri a boca mas não consegui pronunciar nada. A culpa me atingiu como um soco.
"O-o que você fez com ele?"- balbuciei.
"Eu não fiz nada! Hoje de manhã liguei para sua avó e avisei-a que estávamos com você. Pouco depois ela me ligou avisando que Michael havia morrido. Parece que ele não teme esperanças que você permaneça viva, não suportaria sem você. Foram as palavras de sua avó."
Me sentia pisoteada, seria mesmo verdade? Tudo indicava que sim e a culpa era minha, em um acesso de pânico corri até a escada e comecei a subi-la.
Jhon percebeu e segurou-me pelos ombros.
"Não ouse sair daqui." - sua voz era fria e dura.
Fiquei paralisada, as lágrimas eram minhas companheiras constantes.
Jhon saiu mas eu mal notei, meu mundo parecia ter sido arrancado de mim. A felicidade fechou as portas de costas para mim e não iria abri-las.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Capítulo 50: Quando se está só

Desci do carro, o homem com a arma segurou-me o braço seguiu comigo para dentro da enorme casa.
Adentramos em uma linda sala, sinceramente não era o que eu esperava. Luxuosa, mobilada impecavelmente e o chão forrado com enormes tapetes perfeitamente organizados em simetria. Havia um segundo andar e uma incrível e intimidadora escada convidava-nos para subi-la.
Seguimos por um corredor amplo e grande, no fim havia uma enorme e pesada porta, ao que parecia pela localização, seria o quarto dos empregados. Jhon destrancou-a e   entramos. Era mesmo um quarto de empregados, havia duas beliches forradas com lençóis brancos, um pequeno e antigo guarda roupa com os pés desgastados e esfarelados. 
O homem me empurrou até o meio do quarto em cima de um tapete verde e empoeirado,  Jhon ergueu o tapete e olhou rapidamente para Antonietta que espiava parada na porta, uma nuvem fria cobriu seu olhar.
Em baixo do tapete encontrava-se uma espécie e de alçapão, Jhon ergueu-o com facilidade e se afastou para observar o buraco escuro.
De lá uma nuvem de poeira subiu, uma lanterna foi acesa e o homem com a arma iluminou o buraco, havia uma velha escada logo abaixo dele, devia ser uma espécie de porão ou depósito oculto. 
"Desça" - o homem ordenou.
Meu queixo começou a tremer, eu não sabia o que encontraria lá em baixo e a ideia de adentrar naquela escuridão poeirenta fez com que meus pés se paralisassem e meu corpo se petrificou recusando a ordem e os empurrões.
"Tenho certeza de que você quer se despedir do seu querido Michael antes de partir não é?" - o homem provocou-me. - "Pensando bem" - ouviu-se um clique na arma - "Talvez você queira evitar despedidas e terminar com isso aqui mesmo."
Com uma raiva crescente dentro de mim desci as escadas em obedientemente em meio a escuridão.
O homem seguia-me de perto, eu podia sentir sua respiração em meus ombros.
Quando a escada terminou, paralisei-me de novo, meus olhos pareciam ter se arregalado na tentativa inútil de enxergar alguma coisa. A voz grave voltou a ordenar:
"Ande, afaste-se daqui."
Estendi minhas mãos a frente e cambaleei cega, andei andei e parei quando minhas mãos tocaram uma parede.
Escutei passos subindo a escada e amedrontada pelo medo de ficar sozinha em completa escuridão tentei voltar, mas já era tarde, o alçapão foi fechado.
Subi a escada tateei até encontrar a alça para empurrá-lo, forcei-o para cima mas este não se moveu.
"Por favor, por favor! Não me deixem aqui presa sozinha! Por favor!" - supliquei mas ninguém me respondeu.
Permaneci ali até perder a noção do tempo, talvez uma hora? Uma noite? Um dia inteiro?
A saudade e a culpa com certeza são mais fortes quando se está só.

 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

GANHEI UM CONCURSO!

É isso aí, eu ganhei o 1º lugar no concurso "Eu Tenho Cachos Perfeitos" promovido pelo Blog A.ƒyαмα e Para Meninas...Muito obrigada!!




*Ganhei uma Entrevista no Blog A.ƒyαмa
*1 semana de divulgação no Blog A.ƒyαмα e Para Meninas
*Além de esse lindo selinho:



Muitíssimo obrigada ; )

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Capítulo 49: Chegamos

Ela me observava com um sorriso, como se triunfasse diante de uma vitória. O homem com a arma continuava ao meu lado mas eu mal o notava.
Voltei a encarar Antonietta, ela fez cara de desdém e me dirigiu a palavra:
"Não reclame. Você deveria estar feliz pois você vai para o mesmo lugar aonde seus pais estão."
Aquilo em atingiu como um soco, perplexa com a possibilidade de Jhon e Antonietta terem encontrado e sequestrado meus pais era de gelar o sangue.
"O que fez com eles? Onde eles estão?" - perguntei desesperada.
"Relaxa, eles estão bem, na verdade se comportam melhor que você."
Ignorei-a:
"Como conseguiram encontrá-los?"
Ela riu sarcasticamente:
"Oh, como vocês são tolos não é? Quer dizer, você e Michael. Quando foram até o correio depositar a carta, segui vocês, então foi fácil, vocês se afastaram eu peguei a carta e li o endereço. Deixar escrito claramente em uma carta o endereço de seus pais era uma chance que eu não poderia deixar passar."
Enquanto ela falava, comecei a me lembrar do dia em que eu e Michael enviamos a carta a meus pais. Senti um calafrio.
"Por que está fazendo isso? Não posso acreditar que quando pequenas éramos amigas, no que você se transformou?"
Em um gesto conhecido ela colocou uma mecha do cabelo curto e preto atrás da orelha e ficou séria.
"As coisas muda. As pessoas muda. Não só a sua vida que está em jogo, mas a felicidade da minha também."
Tentei refletir mas não encontrei sentido nenhum em suas palavras.
"O que disse?"
Ela expirou de um jeito estressado e me fitou:
"Não adianta eu explicar a partir da metade da história, vou contar-lhe tudo" - ela fez uma pausa e voltou a me fitar: "Jhon sempre quis punir seus pais, usando seu sofrimento como punição, durante muito tempo ele ficou espiando todas as decisões e ações de sua Avó, certo dia ele encontrou na casa dela, um papel com um endereço de Nova York. Foi imediatamente para a cidade, conseguiu uma passagem no mesmo vôo de sua avó e a seguiu até um orfanato. Escutou-a sussurrar seu nome e no outro dia pediu informações sobre você. O orfanato foi muito cuidadoso com o sigilo e não revelou nada, apenas que você havia saído há pouco mais de um dia pois já era maior de idade. Eu estava perto da secretaria de orfanato, ao lado de Jhon para pegar uns documentos meus que lá ficaram, escutei Jhon perguntando sobre você e quis saber porque. Ele me contou tudo, contou sobre o romance proibido de seus pais e sobre os segredo de vocês, ele me perguntou se eu não ajudaria a encontrá-la para que ele pudesse seguir com o plano, eu disse que era sua amiga mas ele me ofereceu algo muito valioso."
Por alguns instantes ela ficou calada, olhando para baixo, demorei um pouco para processar tudo o que ela havia dito. Ela continuou:
"Ele me disse que havia fechado negócio com minha família a alguns anos e talvez ainda tinha o contato deles, eu o ajudaria e em troca ele me ajudaria a encontrar minha família." - depois de um largo sorriso e algumas lágrimas la continuou - "Não era um pedido que eu poderia recusar, e não recusei..."
O carro parou em frente a uma grande casa feita de madeira. Jhon sorriu por sobre o ombro:
"Chegamos."     

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Capítulo 48: Não saiu como o planejado

Enquanto corria podia sentir meu coração se acelerando a cada minuto, eu rezava para que Michael estivesse em casa.
A noite estava um pouco fria e o vento batia gélido em meu rosto. Por sorte, as ruas estavam vazias, não havia nenhum carro transitando nas ruas.
Comecei a ensaiar mentalmente o que eu iria dizer. As idéias voavam pela minha mente mas eu não conseguia fixar nenhuma delas.
Eu estava acima de tudo, envergonhada. Envergonhada pelas atitudes que tomara um mês antes, infelizmente as suas consequências foram as piores imagináveis.
Eu estava me machucando, eu estava machucando Michael.
Porém, esse seria o último dia de nossa tristeza, dali a alguns minutos, assim eu esperava, estaríamos juntos novamente, eu o envolveria em meus braços e diria o quanto eu o amo.


A mais ou menos um quarteirão da casa de Michael, eu avistei um carro saindo de uma garagem. Apertei o passo mas já era tarde, percebi a silhueta inconfundível de Michael, dentro do carro preparando-se para sair. Corri a fim de alcançá-lo e chamei-o algumas vezes, mas o carro já se afastava ganhando velocidade. Parei na frente da casa dele e me sentei na calçada. Cheguei tão perto! - pensei.
Resolvi esperar, pelo que conheço Michael ele não sairia a altas horas, e se saiu voltaria logo, afinal eram quase meia noite e Michael não era de farras noturnas.
Esperei tanto que decidi voltar para a casa.


Quase na metade do caminho, escutei passos atrás de mim e logo a frente um carro preto se aproximava vagarosamente. Instintivamente, abaixei a cabeça e me apressei a caminhar mais rápido, os passos se aceleraram e braços fortes seguraram-me pelo meu casaco, me debati inutilmente, os braços eram fortes como barras de ferro, o carro se aproximou e o vidro se abaixou, Jhon sorriu para mim:
"Ora ora, o que faz fora de casa a essa hora?"
Dizem que o medo te ajuda a raciocinar com mais rapidez e faz com que seus instintos fiquem mais aguçados. 
Virei meus braços para trás e me livrei do casaco que ficou nas mãos do homem e saí correndo, preparei a minha garganta para gritar por alguém, inspirei e juntei todas as minhas forças e gritei por socorro. Não havia ninguém por perto, ninguém ouviu.
Agora eu escutava rápidas passadas em minha direção e o barulho do carro. Logicamente eles estavam se aproximando mas eu estava assustada demais para olhar para trás.
Uma luz se acendeu em minha mete e eu conclui que não teria chances fugindo deles, mas se me escondesse poderia despistá-los.
Fiz uma curva seca em uma esquina a direita e logo depois virei a esquerda. Tirei meus sapatos ignorando a dor dos meus pés ao se chocarem contra as pedrinhas do asfalto. Passei perto de uma fila de carros estacionada bem próxima a calçada, me escondi atrás do maior carro.
O homem e o carro logo chegaram e percebi que estavam em silêncio, eles murmuravam algo mais eu não conseguia entender.
Foi então que escutei uma música alta e estridente, e senti a vibração inconfundível de meu celular no bolso de minha calça.
Droga!
O homem que estava a pé riu:
"Ei! Mas que bela dica não? Eu sei onde você está, vou encontrá-la pode ter certeza disso."
Encurralada pensei então em um último truque. Movimentei-me atrás dos carros e joguei o celular bem a frente. Escutei uma rápida corrida até ele depois disparei ao lado contrário. Ainda mais apavorada pelo pânico olhei para trás e vi o homem a pé correndo aos tropeços em minha direção e o carro passando em minha frente cercando-me. Parei bruscamente e virei-me para trás mas já era tarde. O homem me segurou pelos braços e encostou o cano de uma arma em minhas costas, sua voz soou fria e me provocou arrepios:
"Se prometer ficar bem quieta e caminhar até aquele carro, prometo não machucá-la. Entendeu?"
Parei imediatamente de me debater e fiquei em silêncio. Mais uma vez ele sussurrou em meu ouvido:
"Boa garota."
Ele me conduziu até dentro do carro. Foi aí que vi Jhon e Antonietta me esperando.