segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Capítulo 40: Indifereça

Liguei para Antonietta mais tarde e marcamos um encontro na biblioteca.
Eu e Michael fomos, estava uma manhã linda, nublada porém linda. O tempo estava muito agradável, uma leve brisa soprava balançando as folhas na copa das árvores, apenas alguns raios de Sol passavam pela expressa camada de nuvens acima de nós.
Eu olhava a paisagem passando pelo vidro do carro, pessoas caminhando com seus cães desviando-se das poças de água da chuva que caíra pouco antes, crianças correndo e pulando nas poças...
Baixei a cabeça e pensei no que faríamos á seguir, pensei na conclusão que tiramos e me perguntava se seria um erro dizer tudo isso á ela, dizer que sabíamos. Oque ela poderia fazer? Afinal, ela quer me matar...por que não faria isso hoje mesmo?
Balancei a cabeça na inútil tentativa de afugentar o pensamento ruim. Minhas mãos suavam e estavam trêmulas, Michael parecia muito preocupado dirigindo, estava sério, o pequeno vinco que se formava entre as sombrancelha quando ficava preocupado estava lá.
Olhei para a frente e tentei me concentrar no trânsito a fim de encontrar uma distração, poucos carros estavam nas ruas, e os que estava, circulavam calmamente, parecia que as pessoas haviam tirado a terça-feira de chuva para ficarem no conforto de suas casas. Quem dera.
Passamos por um cruzamento e o sinal ficou vermelho. Paramos, observei a calçada um pouco á frente, vi uma garota sentada na guia da rua e observei-a com cuidado, parecia triste, tinha o rosto enterrado nas mãos e tremia ligeiramente e os cabelos ruivos voando com a brisa. Desviei o olhar para o sinal que abriu, e quando passamos pelo lugar em que ela estava sentada, havia sumido, senti uma estranha inquietação ao perceber isso.
Alguns minutos depois, algumas pessoas estavam paradas na calçada logo á frente esperando a fila de carros passar, a garota ruiva estava entre essas pessoas, mas quando passamos por ela, esta atravessou a rua correndo na frente do nosso carro, não conseguiríamos parar a tempo.
"Michael pare! Pare! Vai atropelá-la!" - gritei.
Michael parou e me olhou assustado, eu desci do carro e corri para frente do carro onde ela havia sido atropelada, quando olhei a garota ruiva não estava ali, volei para o carro e tentei entender o que havia acontecido.
Ele virou-se para mim:
"O que foi? Atropelar quem?"
"Você não viu a garota?" - perguntei incrédula - "Uma garota ruiva atravessou a rua correndo na nossa frente!"
Ele balançou a cabeça negativamente.
"Acho que você se enganou" - ele ligou o carro e continuou a ir á biblioteca.
Não disse a Michael, mas vi a garota mais vezes ao longo do caminho, sentada na calçada com as mãos na cabeça, as vezes, parada olhando furiosamente para alguma coisa, tentei ignorar mas as imagens vinham em minha mente como se tivessem vontade própria.


Quando estacionamos em frente á biblioteca, eu não sentia mais medo, apenas a indiferença tomava conta de meus pensamentos, como se já tivesse feito isso mais vezes, como se aquilo já tivesse acontecido antes.











Um comentário:

Cristian Ross disse...

Bela postagem e valew pelo selinho !!

*-*